A Última Flor

Por Tony

O sol escaldante castigava a terra rachada, levantando nuvens de poeira a cada passo de Elara. Havia dias, talvez semanas, que ela não via uma gota de orvalho, muito menos uma planta que não estivesse seca e esfarelada. A lenda da Última Flor era tudo o que a mantinha em movimento, um eco distante de esperança em um mundo que havia esquecido a cor verde.

Seus olhos, acostumados à monotonia do deserto, buscavam qualquer sinal, qualquer anomalia na paisagem uniforme de areia e rochas. A Flor, diziam os sussurros antigos, brotaria apenas onde o desespero fosse mais profundo, e onde a fé ainda persistisse, por mais tênue que fosse.

Uma noite, enquanto as duas luas prateadas iluminavam o vasto deserto, Elara encontrou uma pequena depressão no terreno. Ali, protegida por rochas antigas, a areia parecia ter um tom ligeiramente diferente, um marrom mais escuro, quase úmido. Com o coração batendo forte, ela começou a cavar com as mãos cansadas.

E então, ela a viu. Uma pequena haste verde espreitando da terra, com uma única e delicada pétala desabrochando em um tom de azul tão vibrante que parecia roubar a luz das estrelas. Não era majestosa, nem imponente, mas a sua existência, naquele lugar, era um milagre.

Ao tocar a pétala, uma onda de energia vital a percorreu. Não era mágica, nem poder, mas uma sensação de paz e renovação que havia muito ela não sentia. A flor não era a chave para reviver o mundo por si só, Elara percebeu. Ela era um **símbolo**. Um lembrete de que a vida encontra um caminho, mesmo nas condições mais adversas, e que a esperança, por menor que seja, pode florescer na escuridão.

Com a Última Flor em suas mãos, Elara soube que sua jornada não era sobre encontrar algo externo, mas sobre despertar a resiliência e a crença dentro de si mesma. O mundo não mudaria da noite para o dia, mas a semente da esperança havia sido plantada novamente. E dessa vez, ela sabia, a flor não estaria sozinha por muito tempo.